Para permanecerem atrativas, as cidades do futuro terão de ser eficazes

Os projetos de cidades inteligentes não devem estar focados nas cidades em si, mas sim nos cidadãos e nas suas necessidades.

ORIENTAÇÕES PARA ENTIDADES EMPENHADAS NA ADOÇÃO DO CONCEITO DE SMART CITY

O tema “cidades inteligentes” é importante e as autoridades locais de todo o mundo estão a tomar consciência da importância de dinamizarem a transformação digital das suas cidades. O desafio reside no desenvolvimento de soluções concretas, obtidas com base em tecnologias recentes e que acrescentem verdadeiro valor aos cidadãos. Apresentam-se de seguida cinco conselhos destinados às entidades competentes.

O tema “cidades inteligentes” é importante e as autoridades locais de todo o mundo estão a tomar consciência da importância de dinamizarem a transformação digital das suas cidades. O desafio reside no desenvolvimento de soluções concretas, obtidas com base em tecnologias recentes e que acrescentem verdadeiro valor aos cidadãos. Apresentam-se de seguida cinco conselhos destinados às entidades competentes.

PONDERAR BENEFÍCIOS A OBTER

As entidades dispostas a fazer a mudança para uma cidade digital enfrentam vários desafios. Em primeiro lugar, a atratividade da cidade. Para prosperar, os municípios deverão ser capazes de atrair novos negócios, habitantes e turistas. Podemos afirmar com segurança que a França é o destino turístico mais popular do mundo, e que assim pretende continuar. Grande parte da atração de França reside na diversidade das suas regiões, em que as vilas e as pequenas cidades desempenham um importante papel. Para atrair mais habitantes e turistas, as vilas e as pequenas cidades competem constantemente entre si, não apenas a um nível local, mas também regional, nacional e até internacional. Perante esta competição global, as cidades não têm alternativa a não ser adaptarem-se e demonstrarem a importância das suas comunidades e, assim, impulsionarem o desenvolvimento económico, melhorarem a qualidade de vida dos seus habitantes e fortalecerem o seu valor reconhecido.

PRESSÃO ORÇAMENTAL CRESCENTE

Este é outro enorme desafio enfrentado pelas entidades competentes. Em França, as despesas do Estado central com as autoridades locais foram reduzidas em 11 mil milhões de euros entre 2015 e 2017. Em consequência, se em 2013 existiam apenas 10% a 15% de cidades com mais de 10.000 habitantes que enfrentavam dificuldades financeiras, atualmente, estas dificuldades estenderam-se à grande maioria.

MANTER O FOCO NA EFICIÊNCIA

Isto significa perguntar: como poderão as cidades melhorar a eficiência energética para reduzir o consumo? Como poderão concentrar-se no crescimento enquanto aliviam a pressão sobre os recursos do planeta? E como poderão aumentar a eficiência, ao mesmo tempo que reduzem custos?

As autoridades locais estão a dar cada vez mais atenção a iniciativas ambientais, num esforço coletivo para travar o aquecimento global e a escassez de recursos. Particularmente, veem-se obrigadas a atingir metas cada vez mais restritivas no desempenho energético e na poluição urbana. Para estarem à altura destes desafios, as entidades estão a recorrer à tecnologia, instalando redes de fibra ótica que oferecem acesso universal à internet, a preços razoáveis – especialmente em áreas com menor densidade populacional – promovendo competências na área da Internet of Things – IoT (Internet das Coisas) para melhorar o dia-a-dia dos cidadãos e das empresas. Contudo, a tecnologia, apesar de dar resposta a um vasto conjunto de expetativas, não deverá ser vista como um fim em si mesma, mas como um meio para a oferta bem-sucedida de serviços que favoreçam a comunidade como um todo.

RECOLHA DE INFORMAÇÃO – USÁ-LA DE FORMA INTELIGENTE É ONDE RESIDE  O VALOR ACRESCENTADO

Atualmente, as autoridades locais têm ao seu dispor uma série de sensores e sistemas de alta tecnologia. Em Paris, por exemplo, na Place de la Nation, foram instalados sensores para monitorizar o trânsito (pedonal, automóvel e de bicicletas), e também os níveis de ruído e qualidade do ar. A informação recolhida está a ser usada para a reformulação do traçado deste movimentado cruzamento. As autoridades podem escolher entre uma variedade de redes IoT, incluindo LoRa, SigFox, WiFi, 4G e fibra para a recolha, troca e processamento dos dados obtidos por estes dispositivos interligados. Para que este processo seja relevante para as autoridades locais e para os cidadãos, os dados, após serem recolhidos, devem ser estruturados e analisados detalhadamente, tanto em tempo real, como de forma retroativa. Trata-se de uma tarefa para especialistas em Big Data, que preparam os dados e identificam ou criam os algoritmos necessários para extrair informação relevante. Para garantir uma abordagem coerente, este tipo de trabalho é conduzido geralmente em colaboração com pessoal familiarizado com o contexto do projeto. Após a conclusão deste trabalho, o passo seguinte será disponibilizar uma interface de uso fácil para empresas e habitantes, para que estes possam, efetivamente, dar uso à informação.

DISPONIBILIZAÇÃO DE DADOS COMO INCENTIVO À INOVAÇÃO

Uma vez que as autoridades locais não têm necessariamente as competências para obter o máximo aproveitamento dos dados recolhidos, é aconselhável que estes dados estejam acessíveis a um grupo mais amplo de intervenientes, incluindo cidadãos, empresas e grupos comunitários, como forma de promover a inovação. Envolver startups, idealmente posicionadas para desencadear novas e brilhantes ideias, é uma das melhores formas de consegui-lo. Por sua vez, isto estimulará a competitividade, de que resultarão novos serviços, criando valor para a comunidade. Em vez de se perder valor, quanto mais informação for usada mais valor será criado!

Na Holanda, a Câmara Municipal de Eindhoven instalou uma rede de sensores pela cidade para medir os níveis de poluição em tempo real. A informação obtida pelos sensores é transmitida aos habitantes da cidade através de uma aplicação que permite o acompanhamento da qualidade do ar do respetivo bairro. Além de representar um benefício imediato e direto para a população de Eindhoven, esta solução permitiu às autoridades aliviarem o fluxo de circulação nas áreas mais poluídas, distribuindo o tráfego de forma mais uniforme pela cidade.

A disponibilização de dados está diretamente associada à estratégia de cidade inteligente. O envolvimento dos cidadãos tem origem em processos abertos e democráticos e, em última análise, contribui para o desenvolvimento de uma cidade mais eficiente e, por isso, mais atrativa. Nos Estados Unidos, a cidade de Chicago desenvolveu uma plataforma de análise e visualização de dados em tempo real com base num software de acesso público. Os dados recolhidos pela plataforma são combinados com informação sobre edifícios devolutos e dados meteorológicos para prever e evitar a proliferação de colónias de roedores.

Outro exemplo de como a disponibilização de dados pode beneficiar os habitantes de forma imediata é o controlo do tráfego. Estima-se que 30% dos congestionamentos sejam causados por condutores à procura de um lugar de estacionamento. Ao implementarem aplicações de estacionamento que ajudem os condutores a localizarem o lugar disponível mais próximo, as autoridades locais podem ter um impacto imediato no congestionamento e assim abordar os maiores desafios enfrentados pelas cidades atuais: atratividade, proteção ambiental e eficiência orçamental.

TESTE E DEMONSTRAÇÃO ANTES DA IMPLEMENTAÇÃO

Ligar absolutamente tudo e de uma só vez não é uma boa ideia. É necessária uma abordagem progressiva e pragmática, começando com uma demonstração. Realizar um teste numa área restrita é a forma mais eficaz de as autoridades avaliarem um novo serviço inovador em ambiente real. Desta forma, poderão determinar se o serviço cumpre o objetivo pretendido e se é adequado para implementação numa área urbana mais alargada. Foi esta a abordagem da cidade francesa Chartres para testar um novo sistema de iluminação inteligente: após um teste bem-sucedido em duas avenidas principais, a solução foi implementada em toda a cidade.

Sendo a tecnologia o potenciador-chave do desenvolvimento urbano inteligente, os requisitos – e as restrições – enfrentados pelas autoridades são, naturalmente, de enorme importância. Ao colocar as necessidades e expetativas dos departamentos da cidade, dos residentes, das empresas, do comércio e do turismo em primeiro lugar, e ao fazer da eficiência e de serviços de valor acrescentado prioridades, as autoridades locais poderão fornecer informação coletiva para o benefício de todos.

Edouard Henry-Biabaud,
Gestor de projeto, Smart Cities,
Axians

Guillaume Garric,
Diretor de projeto, Smart Cities,
VINCI Energies France



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